Envolvências de Seda
Fé

Fui à missa que assinalava o ano após a morte do meu querido avô.
Reconheço que se está a tornar um desafio à minha paciência ouvir as leituras e sermões dos padres. Reconheço também que entro lá com a certeza de que me "divertirei" a encontrar disparates em certas leituras. Foi o que aconteceu.
Durante a primária, frequentei um colegio de freiras e gostei muito. Tenho fé em Deus e acredito nessa entidade superior que nos ajuda a seguir em frente e nos permite agarrarmo-nos a ele. Acreditamos que nos ajuda a superar adversidades, ou resigarmo-nos à não ajuda "porque tinha de ser assim". Mas não queiram enfiar-me certas coisas pelos olhos e ouvidos adentro. Não consigo acreditar que algumas daquelas coisas tenham sido ditas e escritas por alguém que nos quer bem, que não faz distinções entre os homens. Foram escritas sim, por alguém que nos quer fazer seguir por um caminho que não é a nossa escolha, mas sim a escolha deles. Pagar a gula??
Foi a minha primeira de muitas decepções com a igreja. Ou é pecado ou não é, mas pagar para poder comer quando "não se deve?" esta hipocrisia levou-me a ter prazer em escandalizar beatas. Falo normalmente dentro de uma igreja, não sussurro... e rio... se estou feliz e me sinto bem.
Rezar para mim, deixou de ser,desde há muitos anos, ler e decorar as preçes escritas por outros.
Rezar para mim é entrar no Bom Jesus depois de ter subido as escadarias enquanto penso no que é e tem sido a minha existência, ou entrar na minha preferida, Santa Luzia. Não entro lá enquanto decorre uma missa. A imponência de uma igreja vazia, com o seu misticismo mas sem ouvir palavras em que não acredito. A penumbra que convida ao recolhimento. Ao meu, não ao que me querem impor. E fico lá horas, a falar com "Ele", mas à minha maneira. E gosto muito de rezar assim.
Mas voltando à ultima missa, não posso deixar de partilhar a minha revolta com o que ouvi, pois causou-me desconforto:
Deus pediu a Abraão uma prova da sua fé. Prometeu-lhe uma descendência grandiosa, mas ele teria de provar que confiaria sempre na palavra de Deus, por isso ordenou-lhe que seguisse por um caminho indicado, levasse consigo o seu único filho, Isaque e subisse ao monte também indicado. Aí provaria a fé em Deus sacrificando o seu filho, imolando-o. Abraão ficou confuso, mas nunca duvidou da palavra de Deus e assim fez. Tudo preparado e pronto para iniciar o sacrificio, aparece-lhe um anjo que o manda parar. Abraão tinha provado que teme a Deus, por isso o seu filho foi poupado. E Deus deu-lhe a prometida descendência.
Vamos lá a ver uma coisa: isto não é chantagem???
Juro que fiquei mesmo incomodada com este sermão, onde o padre reiterou a necessidade de confiarmos em Deus, de fazermos o que ele "manda"... mas manda o quê? A mim Ele nunca disse nada, e duvido que ordenasse a qualquer pai ou mãe que sacrificasse o seu filho.
É por estas e por muitas mais outras que nem vou referir, que prefiro entrar numa igreja vazia.

Fui à missa que assinalava o ano após a morte do meu querido avô.
Reconheço que se está a tornar um desafio à minha paciência ouvir as leituras e sermões dos padres. Reconheço também que entro lá com a certeza de que me "divertirei" a encontrar disparates em certas leituras. Foi o que aconteceu.
Durante a primária, frequentei um colegio de freiras e gostei muito. Tenho fé em Deus e acredito nessa entidade superior que nos ajuda a seguir em frente e nos permite agarrarmo-nos a ele. Acreditamos que nos ajuda a superar adversidades, ou resigarmo-nos à não ajuda "porque tinha de ser assim". Mas não queiram enfiar-me certas coisas pelos olhos e ouvidos adentro. Não consigo acreditar que algumas daquelas coisas tenham sido ditas e escritas por alguém que nos quer bem, que não faz distinções entre os homens. Foram escritas sim, por alguém que nos quer fazer seguir por um caminho que não é a nossa escolha, mas sim a escolha deles. Pagar a gula??
Foi a minha primeira de muitas decepções com a igreja. Ou é pecado ou não é, mas pagar para poder comer quando "não se deve?" esta hipocrisia levou-me a ter prazer em escandalizar beatas. Falo normalmente dentro de uma igreja, não sussurro... e rio... se estou feliz e me sinto bem.
Rezar para mim, deixou de ser,desde há muitos anos, ler e decorar as preçes escritas por outros.
Rezar para mim é entrar no Bom Jesus depois de ter subido as escadarias enquanto penso no que é e tem sido a minha existência, ou entrar na minha preferida, Santa Luzia. Não entro lá enquanto decorre uma missa. A imponência de uma igreja vazia, com o seu misticismo mas sem ouvir palavras em que não acredito. A penumbra que convida ao recolhimento. Ao meu, não ao que me querem impor. E fico lá horas, a falar com "Ele", mas à minha maneira. E gosto muito de rezar assim.
Mas voltando à ultima missa, não posso deixar de partilhar a minha revolta com o que ouvi, pois causou-me desconforto:
Deus pediu a Abraão uma prova da sua fé. Prometeu-lhe uma descendência grandiosa, mas ele teria de provar que confiaria sempre na palavra de Deus, por isso ordenou-lhe que seguisse por um caminho indicado, levasse consigo o seu único filho, Isaque e subisse ao monte também indicado. Aí provaria a fé em Deus sacrificando o seu filho, imolando-o. Abraão ficou confuso, mas nunca duvidou da palavra de Deus e assim fez. Tudo preparado e pronto para iniciar o sacrificio, aparece-lhe um anjo que o manda parar. Abraão tinha provado que teme a Deus, por isso o seu filho foi poupado. E Deus deu-lhe a prometida descendência.
Vamos lá a ver uma coisa: isto não é chantagem???
Juro que fiquei mesmo incomodada com este sermão, onde o padre reiterou a necessidade de confiarmos em Deus, de fazermos o que ele "manda"... mas manda o quê? A mim Ele nunca disse nada, e duvido que ordenasse a qualquer pai ou mãe que sacrificasse o seu filho.
É por estas e por muitas mais outras que nem vou referir, que prefiro entrar numa igreja vazia.



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