Terça-feira, Abril 04, 2006

Stripetease


Lembro-me como se fosse hoje, da primeira vez que fui ver um stripetease feminino.
Gosto de homens, mas apreciar uma mulher é dos meus exercícios preferidos. São harmoniosas, cheias de curvas e muito misteriosas. Uma mulher é mais interessante de se descobrir que um homem.
A Joana foi comigo, ela conhecia a Carla, uma das raparigas que trabalhava naquele bar. Eu queria ver um bom espectáculo, corpos bonitos, não corpos deploráveis como alguns que vejo num canal por cabo, que num qualquer bar de strip da linha se bamboleiam em volta do poste ameaçando descolar as carnes flácidas dos seus pobres ossos.

Entrámos e eu fiquei deslumbrada com o ambiente, mesmo como sempre tinha imaginado num bar do género: a luz ténue, avermelhada, um balcão comprido logo à entrada com um empregado atrás dele de camisa branca e laço preto, o palco redondo no lado oposto do bar ao fundo da sala, que não tinha mais de 5 metros de diâmetro com o famoso poste no centro, e as mesas em frente, com cadeiras forradas de veludo vermelho e o cheiro a tabaco numa casa mal arejada. O chão era alcatifado, escuro, não sei precisar a cor, pois a luz não deixa ver todos os pormenores. Deixa ver o suficiente para que a imaginação trabalhe e as meninas não se sintam mal nos seus corpos normais.
Sim, elas são mesmo normais.
A Carla veio ter connosco, cumprimentou a Joana, que nos apresentou, trocou algumas palavras de ocasião e foi para dentro, para o que eu julgo serem os bastidores.
Se eu visse a Carla na rua durante o dia não diria que era Striper. Não que tenham de ter determinada postura, ou qualquer rótulo, mas a maquilhagem e as roupas que ela usou fizeram maravilhas, embora o maior trunfo dela seja a sua postura. O cabelo castanho pelo ombro, os olhos também castanhos, uma beleza natural que era diferenciada pelo sorriso.

As luzes baixavam ainda mais quando começava a música que iniciava a actuação de uma delas, os olhares concentravam-se naquelas mulheres. Uma e outra seguiram-se, até que a Carla surge, ao som do “Private Dancer” da Tina Turner, com a sua voz arrastada. A luz concentrou-se na sua entrada, de cigarro acesso nos dedos. O caminhar docemente para captar a atenção, o dançar sensual, o despir atrevido, o seu corpo mantido sem sacrifício de ginásio, mostravam uma mulher normal, não muito bonita, mas muito feminina, capaz de provocar muitas sensações ao bambolear as ancas, roçar-se no poste ou ao deitar-se lânguida no chão e abrir as pernas, deixando vislumbrar uma vulva depilada. Imaginei-a perfumada. Imaginei o seu cheiro, como se ela a aproximasse da minha cara como a aproximou de caras desconhecidas durante a actuação. Cheira bem, a avaliar pelas expressões deles. Deve saber melhor, a avaliar pela expressão da Joana, ao meu lado. As costas curvadas e transpiradas da Carla, enquanto dança, convidam à passagem de uma língua sedenta de sal, os seus olhos pedem sexo ao seu interlocutor. Iludam-se… Ela sabe o que vale, sabe o que provoca, mas não dá a quem quer.
Gostei do que vi.
Lembro-me como se fosse ontem, a primeira vez que fiquei excitada com uma mulher.