Quinta-feira, Setembro 21, 2006

Recordando IX

O Desenho Acabado



‘Finalmente apareceu...Fiquei com receio de não querer terminar o desenho’
‘Não’ sorri ‘Nada disso, apenas só agora me apeteceu voltar’
‘Vamos continuar então?’
‘Vamos’

O pudor daquele dia não entrou hoje, por isso me despi com pouca demora para ir ter com ele, para me expor à apreciação daquele homem, para quem me tinha masturbado, sem o conhecer. Retomada a posição de semi deitada na chaise long, ele reiniciou o desenho. Concentrei-me apenas no trabalho, na ansiedade de me certificar das qualidades dele como desenhador. Queria mesmo ver o meu desenho.

Sedutora linguagem corporal, a dele. A forma como se impõe perante o tripé, com o carvão na mão...esse que lhe marcou o corpo. Os seus olhos observavam-me, para depois rabiscar a sua folha branca, onde eu aparecia a preto e branco...ele sorri.
Que desenhas stranger? Os meus seios...as minhas ancas...o meu monte de vénus...observas bem todos os meus sinais, os meus recantos, tudo...

Nem dei pelo tempo passar, nem senti os músculos a pedir alongamentos.
‘Já está’.
Levantei-me e fui ao seu encontro para pregar os olhos no resultado.
‘Sou assim?’ ele sorriu, perante a minha perplexidade ‘Mas eu aqui sou linda’
‘A desenhar vemos pormenores que mais ninguém vê. A desenhá-la vi traços, rugas, manchas, sinais, enfim, vi as suas características, aquelas que com certeza quem se deita consigo e lhe toca não conhece nem vê’.
Aproximei-me mais dele e beijei-lhe a face ‘Obrigada’.
Que homem quente. Arrisquei uma passagem pelo lóbulo da sua orelha esquerda, com os meus lábios fechados e ele deixou. Abracei-o instintivamente. O retrato tinha ficado muito bonito, sem duvida. Apertei-o ainda mais e os meus seios ficaram encostados ao seu braço esquerdo. Ele não se moveu, apenas sorriu e retribui-me o abraço quando se vira para mim. O seu abraço é reconfortante, protector. Vem acompanhado de um beijo delicioso, envolvente, profundo...

‘Dá-me licença?’ diz segurando-me na mão e convidando-me a acompanhá-lo. Deixo-me ir atrás dele, completamente nua. Ele leva-me para o quarto onde eu me tinha despido e eu entendi o que ia acontecer...

‘Deixo-a à vontade para se vestir’

Vesti-me, sempre com o pensamento nele, no desenho, nos momentos que ali passei e nas sensações que ele me provocou sem sequer me ter tocado.
Senti-me tranquila...